segunda-feira, 31 de março de 2008
domingo, 23 de dezembro de 2007
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sfm
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quarta-feira, 7 de novembro de 2007
E imaginem quem vai estar na próxima Quinta de Leitura??
Si,si, é o Nuno Júdice....eu já tenho bilhete ;)
E, no convite....uma pintura de Isabel Lhano, há melhor combinação?
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verde
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quinta-feira, 25 de outubro de 2007
As coisas mais simples
"Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos. O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida. Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras. Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios. "
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verde
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
O amor, dizes-me
Escuto o silêncio das palavras. O seu silêncio
suspenso dos gestos com que elas desenham
cada objecto, cada pessoa, ou as próprias ideias
que delas dependem. Por vezes, porém, as
palavras são o seu próprio silêncio. Nascem
de uma espera, de um instante de atenção, da súbita
fixidez dos olhos amados, como se
também houvesse coisas que não precisam de
palavras para existir. É o caso deste sentimento
que nasce entre um e outro ser, que apenas
se adivinha enquanto todos falam, em volta,
e que de súbito se confessa, traduzindo em
breves palavras a sua silenciosa verdade.
Nuno Júdice in Pedro Lembrando Inês.
O Nuno Júdice é o poeta convidado das Quintas de Leitura de Novembro...tô lá :)
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verde
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quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Um poema de um amigo
Querias um poema.
Não te bastava a leveza de um fonema
Ou a secura de um lema,
Querias um poema,
Um problema,
Uma palavra que não tema,
Uma rima, meu dilema,
E tudo porque queres um poema,
Não te basta um telefonema,
Uma polémica celeuma,
Um suspiro que trema,
Precisas de um poema.
Teu pedido não é chantagem,
Nem manifesto jogo de imagem.
Mas o que escrever,
Que linhas criar,
Se nada me acorre a ocorrer,
E te faz desapontar?
Nada me vem, nada se constrói,
Minha consciência me mói
Ah, a escrita,
Criação maldita
Que se enrola mesquinha
E nem avisa quando se avizinha,
Emergindo de rompante
Apenas nos atribuindo um instante
Para a materializar
Caligraficamente a verbalizar
Seria fácil falar de flores,
E que todos iremos morrer de amores
Seria banal falar do coração
E fazê-lo rimar com mão
Não é original,
Virginal
Apenas medroso
Piedoso
Seria ousado empregar expressões palavrosas
Que mais não fossem que calinadas tinhosas
De longe a longe, rimá-las com rosas
Seria presunçoso falar de sensações
De imaginárias deambulações
De espinhos, joelhos e perdões.
Não, não tenho jeito para tal,
Hoje tudo me sai mal,
Nem adianta perambular
E rabiar
Rodear
Tentar
Terei mesmo que me conformar
Te noticiar
Que hoje é dia de me silenciar
Palavras para agastar
Simples letras a soçobrar
Nada que seja meu ou teu
Que possa emparelhar com céu
Nada que esteja em casa ou na rua
Apenas para rimar com lua
Afinal esta tentativa é minha ou será tua?
Lamento
Nem por um reles momento
Se evidencia o olor de um sentimento
Sou insensível
Ou assim estarei ou me sentirei
E não, não me revoltarei
Não me peças falinhas mansas
Hoje não posso entrar nessas danças
Não me movem tais intenções
E sou surdo a insistências e pressões
Ditosas sugestões me causam náuseas e tonturas
Todas as saídas se me afiguram escuras
Insistem para que caminhe em carreira
Eu!, que tudo faço à minha maneira
E julgam que me seduzem com sorrisos lassos
Julgam que me podem movimentar os passos
E em minhas artérias impregnar meu sangue
Até de minhas forças me tornarem exangue.
Olhai e ide em vossas aventuras
Em vossas parcimoniosas esculturas
Que tão bem ficam no meio da praça
Como tua blusa infestada de traça
Olhai e dizei "eu quero"
E é por esse querer que não espero
Que me revolvem os fios da navalha
Que corto cada ponto da tua malha
Não me cabe carregar qualquer cruz
Nada sairá de meu obscuro arcabuz
A não ser a minha pastosa loucura
Que se revolve na profundeza de sua lura
Querias luar e te saiu noite
Querias amor e levaste açoite
Querias evitar esse dente
Que te passou tão rente
Querias que te escrevesse a falar de paz,
Mas, querida, hoje não sou capaz,
Não suporto uma única promessa,
Não assisto de novo a essa peça
E apenas te digo
Do alto do meu umbigo
Hoje não faço o que é preciso
Hoje não, não contem comigo
Vasco F.
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Quintas de Leitura
Correcção: Afinal é apenas no dia 27! Sorry!
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segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Para ti,
"Não tenhas medo do amor. Pousa a tua mão
devagar sobre o peito da terra e sente respirar
no seu seio os nomes das coisas que ali estão a
crescer: o linho e genciana; as ervilhas-de-cheiro
e as campainhas azuis; a menta perfumada para
as infusões do verão e a teia de raízes de um
pequeno loureiro que se organiza como uma rede
de veias na confusão de um corpo. A vida nunca
foi só Inverno, nunca foi só bruma e desamparo.
Se bem que chova ainda, não te importes: pousa a
tua mão devagar sobre o teu peito e ouve o clamor
da tempestade que faz ruir os muros: explode no
teu coração um amor-perfeito, será doce o seu
pólen na corola de um beijo, não tenhas medo,
hão-de pedir-to quando chegar a primavera."
Maria do Rosário Pedreira
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
quarta-feira, 4 de julho de 2007
How can I keep my soul in me, so that it doesn't touch your soul?
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sexta-feira, 22 de junho de 2007
Amantes e Outros Nomes de Família
Maria do Rosário Pedreira | Maria João Seixas| Aldina Duarte
Maria João Seixas encantou pelo discurso, pela partilha da sua visão de poesia e sobretudo pela forma cativante como dialogou com a poetisa e com a audiência. Dela, ficou a frase: "é a poesia que escolhe o poeta". Sem dúvida uma das mulheres mais inteligentes, interessantes e charmosas do nosso país.
Maria do Rosário Pedreira encantou pelos poemas que partilhou, poemas que desvendaram as palavras que a sua timidez não deixou fluir. Não conhecia a sua poesia. Gostei, muito.
E no final cantou-se o fado. Aldina Duarte subiu ao palco e deliciou quem a ouviu. Trouxe-nos fados originais, com letra escrita por si, cantados com uma voz forte e de uma extrema doçura. E trouxe-nos o maravilhoso som da guitarra portuguesa. O último fado foi escrito pela Maria do Rosário Pedreira. Lindíssimo. Que bom é ouvir um bom fado!
Com este poema partilho um pedacinho da noite de ontem:
"Não tenhas medo do amor. Pousa a tua mão
devagar sobre o peito da terra e sente respirar
no seu seio os nomes das coisas que ali estão a
crescer: o linho e genciana; as ervilhas-de-cheiro
e as campainhas azuis; a menta perfumada para
as infusões do verão e a teia de raízes de um
pequeno loureiro que se organiza como uma rede
de veias na confusão de um corpo. A vida nunca
foi só Inverno, nunca foi só bruma e desamparo.
Se bem que chova ainda, não te importes: pousa a
tua mão devagar sobre o teu peito e ouve o clamor
da tempestade que faz ruir os muros: explode no
teu coração um amor-perfeito, será doce o seu
pólen na corola de um beijo, não tenhas medo,
hão-de pedir-to quando chegar a primavera."
Maria do Rosário Pedreira
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quinta-feira, 31 de maio de 2007
Por favor internem este senhor
Poema #1 Título: Internem este senhor # 1
"O astro sedado que se apodera do meu corpo. Um frasco com a minha vida dentro que a meio da noite se estilhaça noutra divisão. A lua, uma papoila." V. Gato in Omertá
Poema #2 Título: Internem este senhor # 2
"Damos vertigens. Se entramos uns nos outros damos vertigens." V. Gato in Omertá
Poema #3 Título: Internem este senhor # 3
"Porque o poema é sempre contra o vómito. Porque o poema é sempre, SOBRETUDO, contra engolir o vómito." V. Gato in Omertá
Poema #4 Título: Internem este senhor # 4
"A única dignidade da vida é narrar-se. Ouvir-se nos anfiteatros. O resto é fome, violência e esperma." V. Gato in Omertá
Espero que tenham gostado deste momento de profunda partilha. Um grande bem-haja a todos vós :) .
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sexta-feira, 18 de maio de 2007
Gato pardo
"Será que se pode viver poeticamente?"
"Gosto de ser abalroado"
"Sinto-me intoxicado"
"Á noite estamos mais sujeitos"
:))))) Enfim, pela amostra tirem as vossas conclusões. Apesar de o Gato ser pardo a noite foi gira, com uma performance inicial interessante e o grupo Dead Combo a actuar no final. Com uma sonoridade muito interessante e o uso de diversos instrumentos os Dead Combo convenceram. Gostei.
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quarta-feira, 16 de maio de 2007
imensamente nos deitamos um no outro
e não mais nascemos para a mão escura
que tapa o sol e afoga a lua
estamos como se tudo estivesse connosco
e connosco estivessem os nomes que primeiro se deram
flor rio azul estrela terra
de Vasco Gato
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terça-feira, 8 de maio de 2007
Un poeta en Nueva York
de Federico Garcia Lorca
La aurora de Nueva York tiene
cuatro columnas de cieno
y un huracán de negras palomas
que chapotean en las aguas podridas.
La aurora de Nueva York gime
por las inmensas escaleras
buscando entre las aristas
nardos de angustia dibujada.
La aurora llega y nadie la recibe en su boca
porque allí no hay mañana ni esperanza posible.
A veces las monedas en enjambres furiosos
taladran y devoran abandonados niños.
Los primeros que salen comprenden con sus huesos
que no habrá paraísos ni amores deshojados;
saben que van al cieno de números y leyes,
a los juegos sin arte, a sudores sin fruto.
La luz es sepultada por cadenas y ruidos
en impúdico reto de ciencia sin raíces.
Por los barrios hay gentes que vacilan insomnes
como recién salidas de un naufragio de sangre.
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domingo, 6 de maio de 2007
Je suis un, mais des multitudes sont en moi.
Tu m’embrasse et je te parle,
Je te parle de mes choses.
Je suis ici mais, je veut être là, avec toi.
À toi!
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quarta-feira, 2 de maio de 2007
Gargalhada
Homem vulgar! Homem de coração mesquinho!
Eu te quero ensinar a arte sublime de rir.
Dobra essa orelha grosseira, e escuta
o ritmo e o som da minha gargalhada:
Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!
Não vês?
É preciso jogar por escadas de mármores baixelas de ouro.
Rebentar colares, partir espelhos, quebrar cristais,
vergar a lâmina das espadas e despedaçar estátuas,
destruir as lâmpadas, abater cúpulas,
e atirar para longe os pandeiros e as liras...
O riso magnífico é um trecho dessa música desvairada.
Mas é preciso ter baixelas de ouro, compreendes?
e colares, e espelhos, e espadas e estátuas.
E as lâmpadas, Deus do céu!
E os pandeiros ágeis e as liras sonoras e tremulas...
Escuta bem:
Ah! Ah! Ah! Ah!
Ah! Ah! Ah! Ah!
Só de três lugares nasceu até hoje essa música heróica:
do céu que venta,
do mar que dança,
e de mim.
de Cecília Meireles
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quinta-feira, 26 de abril de 2007
Voy con las riendas tensas...
Voy con las riendas tensas
y refrenando el vuelo
porque no es lo que importa llegar sólo ni pronto,
sino llegar con todos y a tiempo.
León Felipe (1884 - 1968)
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sexta-feira, 23 de março de 2007
Segredo
Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.
Fernando Pinto do Amaral in «Às Cegas»- Poesia Reunida 1990 - 2000, Lisboa, Publicações D. Quixote, 2000
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quarta-feira, 21 de março de 2007
Dia Mundial da Poesia, 21| mar
uma prenda de pablo neruda, neste dia dedicado à poesia.
QUEM MORRE?
Morre lentamente
quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói seu amor
próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente
quem se transforma em
escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos e os corações aos tropeços.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho ou amor, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos...
Pablo Neruda
há que seguir o conselho do pablo neruda: viajar muito, ler, ouvir música, mudar, ousar, e sobretudo divertirmo-nos connosco (neruda copied this advice from a very dear friend).
Label: literatura, poesia
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verde
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